Moacir de Pinheiro Cardoso Filho nasceu em 23 de fevereiro de 1961, em um bairro de classe média da capital baiana, Salvador.
Segundo filho de Moacir de Pinheiro Cardoso e Gemínia Bastos Cardoso, em seu percurso escolar Moacir deparou com o rigor tecnicista que caracterizou a educação brasileira nos anos 70, passando por escolas rígidas, incluindo educação militar.Seu contato com a pintura, a música e a poesia aconteceu na juventude baiana, levando-o abuscar por conta própria os cursos e referenciais com os quais desejava começar seu repertório técnico e estético.
por Rádio Web UFPA, Joel Cardoso entrevista Dra Daniely Meireles sobre a obra de Moacir Cardoso

No entanto, o sentido da arte e da pintura como profissão começou quase por acaso, em 1991, quando desempenhava a função de técnico de apropriação e medição da Cobrate– Companhia Brasileira de Terraplenagem e Engenharia Ltda. – em um projeto de obra asfáltica executada no Município de Viseu (Pará). Depois do cancelamento do contrato com a empresa por parte do governo do Estado, dois anos depois, o artista terminou por escolher a instalação definitiva na “Pérola do Caeté”.
Em 2005, Moacir Cardoso aventurou-se a levar sua arte para a capital paraense, mas encontrou as portas de museus e galerias fechadas para seu trabalho que, na visão dos diretores e curadores, não atendia às tendências contemporâneas da arte local. A saída encontrada foi buscar lugares alternativos para expor e vender suas telas, em parceria com associações e órgãos públicos estaduais/federais, chegando assim a realizar cerca de 40 exposições em Belém, entre elas:
1. Associação dos Empregados do Serpro (2007);
2. Associação dos Empregados da Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais (2007);
3. Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (2007);
4. Câmara Municipal de Belém (2008);
5. Associação dos Servidores da Secretaria Municipal de Obras (2008);
6. Fundação Ipiranga (2008);
7. Associação dos Servidores do CNPQ – Regional Belém (2008);
8. Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (2008);
9. Secretaria Executiva de Obras Públicas do Estado (2008);
10. Infraero – Aeroporto Internacional de Belém (2009).
O regresso decisivo do pintor para Bragança aconteceu no ano de 2009, quando já possuía certo prestígio entre o funcionalismo público, intelectuais e artistas bragantinos de um modo geral, situação esta conquistada pela boa repercussão de suas exposições feitas em Belém. No mesmo ano foi contemplado – por meio do Decreto Legislativo nº 083/09 – com o Título Honorífico de “Cidadão de Bragança”, o que veio a consagrar de fato a pertinência/importância de seu trabalho, que exaltava com diversas linguagens artísticas a cultura e a história do município.

Gabinete da Secretaria Municipal de Saúde (Bragança-PA).
Ano 2018. Acrílica s/ vidro (2018) – 140cm x 60cm.
Entre suas temáticas, a paisagem é recorrente, resultante de um misto de referências, entre a natureza regional paraense, suas pesquisas voltadas à pintura realista e impressionista, além da bagagem simbólica que carrega em sua memória, tanto de sua percepção do cotidiano, quanto das imagens de obras de arte que conheceu pelos livros.
“Ele foi único pintor que até hoje se propôs a pintar o Ataíde. O Ataíde é um mito bem polêmico, eu particularmente acho bem interessante, da região bragantina. É uma criatura mitológica que habita os manguezais, tido como o protetor do manguezal. Diz a literatura, essa literatura dos livros comportados, que ele é aquele que protege o manguezal, agredindo e castigando as pessoas que fazem prática de uma captura predatória do caranguejo. Mas por trás disso, claro, existe toda uma fantasia, todo um imaginário atribuído às relações homossexuais que acontecem no mangue”, conta a professora.
Conteúdo: Daniely Meireles do Rosário
Site: Hícaro Cardoso
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