Arte na cultura paraense

Quem é Moacir Cardoso

Moacir de Pinheiro Cardoso Filho nasceu em 23 de fevereiro de 1961, em um bairro de classe média da capital baiana, Salvador. 
Segundo filho de Moacir de Pinheiro Cardoso e Gemínia Bastos Cardoso, em seu percurso escolar Moacir deparou com o rigor tecnicista que caracterizou a educação brasileira nos anos 70, passando por escolas rígidas, incluindo educação militar.Seu contato com a pintura, a música e a poesia aconteceu na juventude baiana, levando-o abuscar por conta própria os cursos e referenciais com os quais desejava começar seu repertório técnico e estético.  

por Rádio Web UFPA, Joel Cardoso entrevista Dra Daniely Meireles  sobre a obra de Moacir  Cardoso

Live da ANPAP com Dra Daniely Meireles sobre a obra de Moacir Cardoso

No entanto, o sentido da arte e da pintura como profissão começou quase por acaso, em 1991, quando desempenhava a função de técnico de apropriação e medição da Cobrate– Companhia Brasileira de Terraplenagem e Engenharia Ltda. – em um projeto de obra asfáltica executada no Município de Viseu (Pará). Depois do cancelamento do contrato com a empresa por parte do governo do Estado, dois anos depois, o artista terminou por escolher a instalação definitiva na “Pérola do Caeté”.

O cubismo

No “cubismo” de Moacir Cardoso, a evidência dos referenciais modernistas comprova-se na representação das figuras humanas e na composição do espaço compositivo, na disposição dos planos de cor e da intersecção de figuras, o que enfatiza os elementos iconográficos escolhidos pelo artista: marujos e marujas, vendedores ambulantes, casarões, igrejas, objetos domésticos. O pintor naturalizado bragantino sente Bragança por suas entranhas mais populares: pela feira, pelo porto, por seus “causos” folclóricos, pelo trabalho braçal de pescadores e vendedoras de comida, evidenciando realidades urbanas para além do apelo turístico.

Construindo a cada tela, cada mural, os elementos visuais necessários para a sistematização daquilo que em Bragança o diferenciaria dos demais pintores de sua geração, o artista passou a “brincar” com as temáticas e as infinitas maneiras de ressignificá-las. Partindo da visualidade real da figura, Moacir controla a “fragmentação”, preservando a formalidade figurativa e deixando a cor enganar a visão, criando “quebraduras cromáticas” que dão a ilusão de um conjunto totalmente desmembrado.

Marcado pela intencionalidade de recriar os próprios signos que constituem seu repertório imagético, seu banco de dados, Moacir funda imagens a partir das misturas emprestadas do mundo, de suas memórias, da cidade. Por seu trabalho com murais espalhados na cidade bragantina e arredores – vilas e distritos – o pintor busca completar o que lhe falta para que a experiência da vida seja mais amena e leve, no sentido de cada vez mais conseguir espaço para a visibilidade de seus trabalhos.

algumas telas

O caminho até o estado do pará

Em 2005, Moacir Cardoso aventurou-se a levar sua arte para a capital paraense, mas encontrou as portas de museus e galerias fechadas para seu trabalho que, na visão dos diretores e curadores, não atendia às tendências contemporâneas da arte local. A saída encontrada foi buscar lugares alternativos para expor e vender suas telas, em parceria com associações e órgãos públicos estaduais/federais, chegando assim a realizar cerca de 40 exposições em Belém, entre elas:

Exposições

1. Associação dos Empregados do Serpro (2007);
2. Associação dos Empregados da Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais (2007);
3. Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (2007);
4. Câmara Municipal de Belém (2008);
5. Associação dos Servidores da Secretaria Municipal de Obras (2008);
6. Fundação Ipiranga (2008);
7. Associação dos Servidores do CNPQ – Regional Belém (2008);
8. Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (2008);
9. Secretaria Executiva de Obras Públicas do Estado (2008);
10. Infraero – Aeroporto Internacional de Belém (2009).


O regresso decisivo do pintor para Bragança aconteceu no ano de 2009, quando já possuía certo prestígio entre o funcionalismo público, intelectuais e artistas bragantinos de um modo geral, situação esta conquistada pela boa repercussão de suas exposições feitas em Belém. No mesmo ano foi contemplado – por meio do Decreto Legislativo nº 083/09 – com o Título Honorífico de “Cidadão de Bragança”, o que veio a consagrar de fato a pertinência/importância de seu trabalho, que exaltava com diversas linguagens artísticas a cultura e a história do município. 

Gabinete da Secretaria Municipal de Saúde (Bragança-PA). 
Ano 2018. Acrílica s/ vidro (2018) – 140cm x 60cm.

PAISAGENS

Entre suas temáticas, a paisagem é recorrente, resultante de um misto de referências, entre a natureza regional paraense, suas pesquisas voltadas à pintura realista e impressionista, além da bagagem simbólica que carrega em sua memória, tanto de sua percepção do cotidiano, quanto das imagens de obras de arte que conheceu pelos livros.

a polêmica em torno do mito DE ATAÍDE

A obra sobre o Ataíde localizada na praça Edwaldo de Souza Martins causou polêmica por representar a figura com órgãos sexuais avantajados, o que gerou um debate sobre as tradições da cultura popular e da religiosidade cristã na cidade. Durante a entrevista, Daniely Meireles também trata sua atuação na Escola de Aplicação da UFPA e a proposta de desenvolver em sala de aula uma abordagem de ensino que contemple a teoria, história, crítica e prática das artes.

“Ele foi único pintor que até hoje se propôs a pintar o Ataíde. O Ataíde é um mito bem polêmico, eu particularmente acho bem interessante, da região bragantina. É uma criatura mitológica que habita os manguezais, tido como o protetor do manguezal. Diz a literatura, essa literatura dos livros comportados, que ele é aquele que protege o manguezal, agredindo e castigando as pessoas que fazem prática de uma captura predatória do caranguejo. Mas por trás disso, claro, existe toda uma fantasia, todo um imaginário atribuído às relações homossexuais que acontecem no mangue”, conta a professora.

Referências artísticas

Do aprendizado trazido em seus caminhos, alimentados pela observação do cotidiano e por suas memórias, Moá Cardoso – como o artista é conhecido em suas redes sociais – criou seu lugar de fala bragantino, vindo de um conjunto de referências como Edmundo Simas, Carybé e Joarez Paraíso, do qual recebeu a influência de um dinamismo visual decorativista causado, sobretudo, pelo uso expressivo da cor.

Além destes, Moacir alimentou-se no legado deixado por pintores modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral (1886-1973), Di Cavalcanti (1897-1976) e Cândido Portinari (1903-1962), agregando elementos culturais e simbolismos de um lugar que já havia adotado como seu: na fauna, na vegetação, nas paisagens ribeirinhas, nos rios e nas embarcações, no pescador e no catador de caranguejo, no vendedor de açaí, além de personagens mitológicos e religiosos, fundando uma visualidade modernista ligada à estética cubista que, por sua vez, caracteriza seu estilo particular em Bragança.

CLIPPING

Alguns recortes de jornais onde o artista foi mencionado ou entrevistado.

É conhecido em suas redes sociais – criou seu lugar de fala bragantino, vindo de um conjunto de referências como Edmundo Simas, Carybé e Joarez Paraíso, do qual recebeu a influência de um dinamismo visual decorativista causado, sobretudo, pelo uso expressivo da cor. 

Desenvolvimento

Conteúdo: Daniely Meireles do Rosário

Bagantina, artista visual e professora na Escola de Aplicação da UFPA.
É Doutora em Artes e desenvolve pesquisas sobre pintores autodidatas no Nordeste Paraense.

Site: Hícaro Cardoso

Filho de Moacir Cardoso, Web Design e
Empresário: portall.com.brtxai.online